A quadrilha enquanto reconhecimento do ser artista

Entrevista com Ellen Gabi. 

Ellen Gabi, brincante junina e atriz do DF, descendente de nordestino, relata que a quadrilha transformou sua vida. Para a nossa entrevistada a quadrilha ensinou para ela disciplina, lidar com uma quantidade grande de pessoas, reconhecer os próprios limites físicos e a sentir no próprio peito suas histórias e de seus antepassados sendo contadas pela música. 


O xote para ela é amor e intimidade, uma vez que não se dança só, o baião exige concentração, preparação física, uma conexão imensa e acompanhar com o corpo o andamento de musicas tão aceleradas e o forró é a base para as músicas da quadrilha. 


As histórias das músicas  falam sobre a gratidão do povo nordestino em ter o que comer e a fé de que a fome não vai voltar a circular pelo povo. O nordeste tá todo ali, em sua riqueza cultural.


Um festejo que está presente imensamente na vida de brincantes (dançarinos de quadrilha), marcadores (quem lidera os passos), produtores musicais, coreógrafos, figurinistas e visagistas. É uma manifestação que todo mundo quer fazer acontecer, então todos se ajudam e querem ocupar os espaços mais diversos. A brincante diz que ocupar praças, igrejas, o Linq- dfe e escolas é só o começo pra quadrilha.



1.       Como você definiria o que é quadrilha? Como um processo de mudança de vida em que se aprende a ter disciplina, a lidar com muitas pessoas diferentes e a entender os limites individuais.

2.       Quais elementos dessa manifestação você considera importantes? Coreografia, enredo, música, o tema da quadrilha e as roupas

3.       Onde vocês têm o costume de se apresentar? Em muitos lugares, como praças, igrejas, linq-df e escolas

4.       Quais os profissionais que são importantes pra realizar o festejo? Brincantes, marcadores, rede de apoio, coreógrafo, produtor musical e visagistas, que muitas vezes são os próprios dançarinos. Todo mundo faz o que consegue pra fazer acontecer

5.       A que te remete o xote? Amor, calmaria, intimidade, leveza, chamego e a própria conexão de grupo.

6.       E o Baião ( quadrilhão)? Exaltação, preparação física pra dar conta do tempo, conexão, viagem e muita entrega, acelerado, concentração.

7.       E o forró? Base da quadrilha, passos adaptáveis.

8.       A que te remete a fogueira de São João? A comemoração do milho e a fé do nordestino de ter o que comer, um agradecimento

9.       Onde você observa o nordeste na quadrilha? Desde o ensaio, porque veio do nordeste e da abundância dele, os mitos, a cultura, desde a roupa até a sua pluralidade, se eu pudesse associar o nordeste a alguma coisa seria o barroco e suas cores, muito ricas e por ele ser cheio de significados.

10.   Tem mais alguma coisa pra falar? A quadrilha me fez sentir artista.


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